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Descobrindo as origens do verdadeiro chantilly... em CHANTILLY!


Eu adoro escrever pautas contando as minhas histórias de viagens. São tão loucas, engraçadas e surreais que é necessário escrever para não esquece-las, se é que isso é possível.

Hoje quero falar de uma cidadezinha super charmosa. Eu confesso que, apesar de gostar muito de Paris, gosto ainda mais das vilas francesas e pequenas cidades. É lá que realmente se vive “a vida francesa”. A culinária, os costumes, os povos.

Convenci meus companheiros de viagem a se aventurarem comigo em Chantilly. Cheia de animação fiz o comercial: é um castelo bem bacana. Retrucaram: “Já estivemos ontem em Versalhes”, e eu não me dei por vencida. "A cidadezinha é linda. É pertinho. Meia horinha daqui (Paris)". Ganhei a guerra. Planejamos sair no dia seguinte bem cedo para passar o dia.

O que eles não previram era o clima. No dia seguinte percebemos que em Paris estava 4 graus e Chantilly 1 grau, Ninguém falou em chuva e não perguntei. Reparei o céu nublado e decidimos levar guarda chuvas na bolsa. Fomos a Gare du Nord (estação de trem em Paris) e a ideia era pegar um trem direção Chantilly x Gouvieux, onde deveríamos descer para caminhar 20 minutos a pé, até o Castelo em questão. Castelo este onde é possível locar para festas de casamentos, a exemplo de Ronaldo e Daniela Cicarelli anos atrás.

Nosso drama começou quando determinada estação paramos e fomos informados que havia um reparo na linha férrea e não teria como chegar a Chantilly de trem. Nos orientaram a descer e embarcar em determinado ônibus. Aí a aventura começou de verdade. No interior da França, no âmago da Europa, sem falar francês o suficiente e onde poucos entendiam inglês, considerando que ali não vimos outros turistas, eram apenas franceses de uma cidade do interior... só nos restou entrar no ônibus, conferir as placas pela estrada e torcer.

Eu AMEI de paixão aquela viagem. De trem chegaríamos em meia hora. De ônibus foram quase 1h30 rumo a direção da Picardia. Os cenários eram indescritíveis, como se estivéssemos dentro de um filme. Passamos por varias vilas rurais e a vontade era parar. Passamos por uma floresta, e àquela altura eu já tinha esquecido o frio de doer os ossos e a chuva que ameaçava cair. Também não pensava em como voltar a Paris. A sensação que me move nessas horas não tem explicação e nem dá para contar. É algo só meu, como se eu tivesse chegado “a minha casa”, ainda que eu não tivesse ideia de onde estava. Apenas confiando naquela informação, fornecida numa língua franco-inglesa, mas parecida como um dialeto e confiando nas mímicas. De qualquer modo, tempos depois o ônibus parou bem do ladinho da Estação de Trem e percebi que tinha dado certo.

Da estação Chantilly x Gouvieux tem como ir para o Castelo de trem (8 euros fazendo o trajeto em 5 min), a pé andando por mais ou menos 20 minutos, ou ainda, de ônibus DUC (Desserte Urbaine Cantilienne) que é gratuito e te deixa na porta. Bem, se você me conhece já sabe que optei por ir a pé. Não perderia a chance de conhecer a cidadezinha.

O tempo estava péssimo. Frio de doer os ossos e o tempo prometia chuva. Não estou falando de chuva como aqui, mas daquela chuva gelada que vem junto com o vento europeu de inicio de inverno. Não tem como descrever isso, (eu adoro) mas é necessário estar bem agasalhado e aqui falo de luvas, gorro, meias, botas, scarf , um bom casaco e guarda chuvas.

Antes de chegar do outro lado da praça, já foi necessário parar para tomar algo quente. Nossa surpresa especial foi que na pequena Boulangerie, fomos atendidas por uma senhora portuguesa super simpática e nos aquecemos um pouquinho. Ninguém estava se divertindo ali, exceto eu.

Atravessamos tão rápido quanto pudemos …. a praça, a rua e o campo que antecede a cavalariça que fica bem na entrada do castelo (já houve tempos que ali eram abrigados em torno de 240 cavalos e 150 cães para caça dos nobres da época).

Realmente o Castelo é lindo, diferente, imponente e aconchegante. Mal pudermos fazer algumas fotos e a chuva caiu de verdade. O vento era tanto que nossos guarda chuvas depois de se arregaçarem se quebraram e foi o caos. Todos reclamando, (risos) e foi assim que chegamos ao portão principal (lamentando não ter esperado o ônibus).

Depois de pagar 14 euros por pessoa, tudo passou a valer a pena. Entramos e o interior é lindo. Diferente dos castelos maiores, este parece a casa de alguém. Conta com 2 restaurantes, sendo que o externo fica fechado no inverno e então só podíamos contar com o La Capitainerie, afinal queríamos provar o chantilly de Chantilly. Obviamente é ali que se degusta o verdadeiro creme e ninguém se fez de rogado. Valeu a pena todo frio, chuva, vento e guarda-chuvas quebrados.

Depois de visitar o castelo, experimentar o melhor chantilly do mundo, precisávamos pensar na logística do retorno. Só então me lembrei da saga da vinda sem o trem. Felizmente uma energia extra me alimenta nessas horas. Voltamos na chuva (não tínhamos opção) com nossas metades de guarda chuvas em ação. Tentava observar tudo ao mesmo tempo, mas quando se está a beira do congelamento, muito pouco de consegue captar. Ainda assim, parei na entrada da floresta (que vontade ficar por ali um pouco), e passei por um cemitério surreal, escondido no mesmo das árvores, onde a força do vento as fazia vergar e assobiar.

Para nossa alegria, após nos despedirmos da simpática portuguesa e tomar outro chocolate quentinho, chegamos a estação de trem, chamada de “gare”, e percebemos que nossas preces foram ouvidas. O trem já estava a caminho e dali um pouquinho já estaríamos de volta a Paris… infelizmente não posso dizer, que o tempo estaria melhor, porém ao invés de 1 grau quase anoitecendo, enfrentaríamos 3 ou 4 … o que era maravilhoso, dada a nossa situação.

Uma pena que perdi os vídeos que fui fazendo pelo caminho. Mas todas as fotos que são minhas (exceto as dos doces que são do cardápio) e se referem aquele dia, e confesso que já quero voltar.

Se quer ter uma lua de mel mágica, conheça Chantilly.

Dilma Resende | Blog #Eventos e Viagens

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